Por Marcelo Assumpção
Acordei no domingo, ainda sentindo no corpo o cansaço da festa de casamento da noite anterior. Como de costume, antes de me dirigir ao banheiro, onde daria fim às bebidinhas deliciosas apreciadas com moderação algumas horas antes, fui também como sempre, cambaleando até a porta pegar meus jornais. Isso mesmo, no plural, pois às sextas, sábados, domingos e segundas, recebo dois deles, até para comparar as notícias, as abordagens e poder fazer dos dois, um só, mais completo e interessante , sendo que um deles apresenta um mundo de classificados que não me interessam neste momento, mas ao mesmo tempo, traz informações e noticias sobre teatro, artes, literatura e outros afins.
Ainda meio sonado, peguei os ditos cujos e fui pro meu “office” ou biblioteca especial, como queiram. Olhei para a capa de um deles e achei que ainda estivesse dormindo e que tudo fosse um sonho. Os acontecimentos com a menina Isabella, todo apresentado em uma história em quadrinhos. Os resultados dos jogos de futebol do sábado, todos em tabelas e fotos. A chamadas das matérias dos demais cadernos, todos em gráficos e tudo muito colorido. Cadê o texto, cadê o lead ? Cadê as linhas finas que tanto me auxiliam? Era tudo muito diferente… e o outro jornal continuava igual, com suas tradicionais notícias na capa e suas infinitas páginas de classificados.
Achei melhor tomar um banho antes e ver se mais desperto, as coisas voltassem ao seu curso normal. Ao sair do banho e para minha surpresa, só o jornal de noticias tradicionais ainda estava no chão do banheiro. Saí atrás do outro que havia chamado minha atenção e para outra grande surpresa, achei-o nas mãos do meu filho, que o devorava sentado na minha poltrona de leitura, na sala de estar. Sentei no sofá, ao seu lado e comecei a ler o “meu” jornal, mas não me concentrava devido aos constantes comentários que ele fazia sobre o jornal “dele”.
Parei de ler o “meu”, claro, e fui ler o dele. Tudo completamente diferente. Poucas palavras, muita foto, muito gráfico, muita cor e ele ali, concentrado, nem deu bola pro chocolate gelado e um pedaço de pizza da noite de sexta ainda que eu lhe trouxe, seu café da manhã preferido.
Não acredito que ainda vou viver esse momento narrado acima, mas tenho plena convicção de que, a infografia, chamada antigamente de arte nos jornais e revistas, invadirá jornais e outras publicações impressas com seus gráficos, tabelas, fotos, caricaturas, croquis e histórias em quadrinhos. Porém, acredito e muito ainda na conservação das letras, na classe das crônicas, na importância dos editoriais, nos textos que nos prendem e nos fazem ler páginas inteiras de matérias inteligentes.
Um Infographical Today ainda é uma utopia, mesmo sendo sustentado no chavão de que uma imagem vale por mil palavras, mas podem ter certeza que, assim como meu filho, os jornais ganharão milhões de novos e pequenos leitores quando tiverem uma cara diferente, um conteúdo mais chamativo, que não, somente letras. O conteúdo citado compõe-se de textos também, inteligentes e criativos, que prendam a atenção dos pequeninos e também dos tradicionais leitores de jornais, associados a fotos, gráficos e tabelas que juntos, tornarão a notícia impressa mais clara, mais objetiva, mais concisa. Isso tornará os jornais talvez menores, menos custosos e mais interessantes de serem lidos. Quero ver inclusive, como ficarão os classificados, quando a Infographic Fashion invadir as páginas dos órgãos impressos.
Votos de longevidade aos bons textos.